Quando é que me despeço
de uma beldade? A resposta que dei
a um investidor da comunidade.
«Peço desculpa a questão, mas quando compramos beldades, qual o momento de nos desfazermos delas?» Não tens de pedir desculpa, é uma excelente pergunta... e a resposta começa por trocar uma palavra na tua cabeça.
Esta semana, um investidor da comunidade 4OU7 fez-me esta pergunta, com um pedido de desculpa à mistura (que não era preciso). As melhores perguntas são exatamente estas, as que parecem básicas e afinal tocam no centro do método.
A pergunta era: quando compramos beldades, qual é o momento de nos desfazermos delas? A minha primeira resposta foi uma sugestão de mudança de perspetiva... e é por aí que este artigo começa.
Primeiro, troca «ações» por «participação num negócio»
Em vez de pensares em ações, números verdes e vermelhos num ecrã, pensa que és acionista de uma empresa que todos os anos fatura mais e gera mais lucro. Fizeste o trabalho: aplicaste os 7 critérios, confirmaste a liderança, o MOAT, o crescimento, a dívida conservadora e compraste com margem de segurança.
Agora responde com honestidade: porque razão vais querer livrar-te da tua participação nesse negócio?
Quando a pergunta é feita assim, a resposta muda completamente. Ninguém que seja dono de uma padaria lucrativa acorda a pensar «a padaria está a valer mais, vou vendê-la já antes que deixe de valer». O dono da padaria quer que ela continue a crescer durante décadas e é exatamente essa a relação que eu tenho com as beldades do meu Harém.
"És acionista de uma empresa que todos os anos fatura mais e gera mais lucro... porque razão vais querer livrar-te da tua participação nesse negócio?"
Pedro Silva-Santos, resposta à comunidade 4OU7As quatro situações em que equaciono vender
Dito isto, «quase nunca» não é «nunca». Há situações concretas em que vender faz todo o sentido... e vale a pena conhecê-las antes de precisares delas.
O que nunca é razão para vender
Repara numa coisa: «a ação subiu muito» não está na lista de argumentos que me levam a vender... mas é a razão pela qual a maioria das pessoas vende. Vender uma excelente empresa só porque valorizou é cortar a árvore que está a dar frutos e depois ficar a ver os outros a colhê-los durante os 10 anos seguintes.
«Já subiu muito, vou garantir os lucros.» «Está em máximos históricos, vai cair.» «O mercado está agitado, é melhor sair.» Nenhuma destas frases fala dos fundamentos do negócio, todas falam do preço das ações e do medo. Quando a vontade de vender nasce do preço e não do negócio, o problema não está na empresa, está na emoção que colocas na tua forma de investir.
As minhas maiores valorizações só existem porque não vendi quando «já tinha subido muito». Uma beldade com fundamentos intactos pode valorizar 100%, 300%, 1000%, ou mais, ao longo dos anos e a única forma de usufruir desse caminho todo é continuar sentado, sem fazer nada, enquanto o negócio cresce.
Antes de venderes, faz a pergunta ao contrário: se não tivesse esta empresa e tivesse este dinheiro livre, comprava-a hoje a este preço? Se a resposta é sim, vender não faz sentido. Se a resposta é não, identifica primeiro em qual das quatro situações anteriores te encontras, porque vender sem saber porquê é tão perigoso como comprar sem saber porque é que o estás a fazer.
Não vendo porque subiu, não vendo porque tenho medo, não vendo porque o mercado está nervoso. Vendo quando a vida precisa do dinheiro, quando os fundamentos se deterioram, quando a posição desequilibra o Harém ou quando descubro que errei. Em todos os outros dias, deixo o negócio a trabalhar para mim.
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