Perdi mais de 22 000€ na Bolsa.
Recuperei tudo em 7 meses.
Esta é a história completa, sem filtros, sem embelezamentos. Dezembro de 2018, os erros que cometi, o crash do COVID, a decisão que mudou tudo, e o que aprendi que nunca mais esqueci.
Vou dizer-te um número exato: 22 612,91 euros.
É o que perdi nos primeiros anos em que investi na Bolsa. Não é uma estimativa arredondada para parecer mais dramático. É o número real, com cêntimos incluídos, que registei na minha declaração de IRS e que usei para abater as mais-valias dos anos seguintes.
Conto este número porque é real, e porque acho que a melhor coisa que posso fazer por quem está a começar ou por quem já perdeu e está a tentar perceber o que correu mal, é ser completamente honesto sobre o que aconteceu comigo.
O custo real de não saber o que estava a fazer.
Não foi a Bolsa que me roubou este dinheiro. Fui eu que o dei, de bandeja, por ignorância, por impaciência e por deixar as emoções conduzir as minhas decisões.
O início: dezembro de 2018
Comecei a investir em dezembro de 2018, com cerca de 3 000 euros. O primeiro contacto foi através de um amigo, o Gero, que me introduziu ao tema. As primeiras ações que comprei foram da Meta (Facebook na altura) e da Tesla.
Não analisei nada. Não tinha critérios. Comprei porque "pareciam boas empresas" e porque toda a gente falava nelas. Era o erro clássico: investir por sugestão sem perceber o que se está a comprar.
Nos meses seguintes, aconteceu o inevitável. Os preços desceram. Em vez de analisar se as empresas continuavam boas, entrei em pânico e vendi. Depois voltei a comprar outras quando subiram. Depois vendi quando baixaram, era o ciclo perfeito de comprar caro e vender barato.
O vício que não conseguia largar
Entretanto, descobri os canais do YouTube sobre finanças, e fiquei viciado, no pior sentido da palavra.
Havia sempre uma ação nova que "ia disparar 500%". Havia sempre uma empresa promissora com uma tecnologia revolucionária que ia "mudar o mundo". Havia sempre um gestor de fundo a dizer que "desta vez é diferente". Eu consumia tudo isso e agia em função disso.
Via um vídeo entusiasmante sobre uma empresa. Comprava. O preço subia ligeiramente, sentia-me um génio. O preço caía, entrava em pânico. Vendia com perda. Repetia o ciclo com uma empresa diferente, convencido de que desta vez seria diferente. Não era.
Conhecia o Adam Khoo do YouTube há mais de um ano. Seguia o conteúdo dele, achava que fazia sentido, mas não conseguia largar a adrenalina das ações especulativas. Era como saber que devo comer bem e continuar a comer fast food, a informação correta estava lá, mas o comportamento não mudava.
Março de 2020: o crash que foi o pior e o melhor momento da minha vida de investidor
Em março de 2020, o COVID chegou aos mercados. O meu portefólio, já em má situação depois de meses de más decisões, desabou ainda mais. Via o saldo a encolher todos os dias. As notícias eram apocalípticas. Os YouTubers financeiros que eu seguia estavam em modo catastrófico.
Foi nessa altura que o Adam Khoo publicou um vídeo a dizer que era expectável que os mercados começassem a recuperar em breve. Não acreditei nele, toda a gente estava a dizer o contrário.
No entanto, em junho de 2020, algo mudou. Vi um vídeo dele que não consigo sequer identificar exatamente qual foi, e pensei:
"Tenho de aprender como é que este homem investe de forma tão diferente da maioria."
Pedro Silva-Santos, junho de 2020Comprei a subscrição no site da empresa dele, a Piranha Profits, e a partir daí decidi focar-me exclusivamente na metodologia dele. Sem mais canais de YouTube sensacionalistas. Sem mais hot stocks do momento. Apenas os princípios do Value Momentum Investing.
A decisão mais difícil: cortar o mal pela raiz
Com a nova estratégia veio uma decisão que custou tomar. Tinha no portefólio uma série de empresas especulativas, as "galdérias", como lhes chamo, nas quais estava com perdas significativas. Algumas a mais de 30%, 40%, 50%.
A tentação de ficar à espera que recuperassem era enorme. "Se vender agora, confirmo a perda." É um pensamento muito humano, mas é um pensamento que prende as pessoas em maus investimentos durante anos.
Vendi tudo. Todas as galdérias. Assumi todas as perdas. Registei as menos-valias no IRS, o que me permitiria abatê-las em mais-valias nos anos seguintes.
Depois disse a mim próprio uma coisa simples:
"Pronto. Até aqui, o dinheiro que perdi foi o custo de aprendizagem. A partir daqui, sigo uma estratégia bem definida, sem desvios, sem exceções, sem 'desta vez é diferente'."
Os 7 meses que mudaram tudo
A partir de junho de 2020, apliquei os 7 critérios que passei a usar para selecionar empresas. Só comprava empresas líderes de mercado, com crescimento consistente, com MOAT claro, com endividamento conservador, com catalisadores fortes, a preços abaixo do valor intrínseco e em níveis de suporte técnico.
Venda de todas as posições especulativas. Registo das menos-valias. Início da subscrição no Piranha Profits e adoção do Value Momentum Investing como estratégia única.
Identificação das primeiras empresas que cumpriam os 7 critérios. Mercado ainda em recuperação pós-COVID, os preços de excelentes empresas ainda estavam muito abaixo do valor intrínseco estimado.
As posições abertas com critério começaram a valorizar. A disciplina de não olhar para os preços diariamente, e não reagir a cada notícia, revelou-se fundamental.
Em 7 meses e alguns dias, o portefólio recuperou os 22 612,91 euros de perdas, e continuou a crescer. A diferença foi exclusivamente a estratégia, não a sorte.
Tempo que demorei a recuperar mais de 22 000€ de perdas.
Não com truques, não com alavancagem, não com ações especulativas. Com empresas sólidas, compradas com critério e com margem de segurança.
O que aprendi que nunca mais esqueci
Há três lições desta experiência que considero inegociáveis:
Primeira: As perdas que assumi não foram um fracasso. Foram o preço da minha formação. Se tivesse ficado à espera que as galdérias recuperassem, ainda hoje poderia estar preso nessa espera ou a aceitar perdas ainda maiores anos depois. Cortar o mal pela raiz foi a melhor decisão que tomei.
Segunda: A diferença entre especular e investir não é o ativo. É o critério. As mesmas ações que causam perdas enormes a quem as compra por impulso podem ser excelentes investimentos para quem as analisa com método.
Terceira: A psicologia vale mais do que o conhecimento técnico. Sei de muitas pessoas que percebem muito de análise fundamental e perdem dinheiro na mesma porque vendem quando têm medo e compram quando estão eufóricos. A disciplina emocional é o ativo mais raro e mais valioso de qualquer investidor.
Vou olhar para as perdas como "custo de aprendizagem", e no futuro, com critério e com disciplina, não voltarei a cometer os mesmos erros.
Experimenta antes de decidires
Cria conta gratuita na 4OU7 e usa a calculadora de valor intrínseco, os cenários e a watchlist com alertas nas empresas que já segues.
Experimentar grátis → Conta gratuita, sem cartão de crédito.Se depois quiseres tudo: 17€/mês, cancelas quando quiseres.



