O que faço quando
o meu portefólio está
a descer 30%.
(Spoiler: quase nada.)
Quando o mercado cai 30% e as notícias são apocalípticas, a maioria vende. As Aves Raras fazem exatamente o contrário. Aqui está o que passa pela minha cabeça, e o protocolo concreto que sigo para não tomar decisões de que me arrependo.
Recebi esta mensagem num período em que o meu portefólio estava a registar uma queda superior a 30%:
"Pedrinho, ao fim de três anos e meio a levarmos pancada nos preços das ações, confesso que está a começar a ficar difícil de aguentar. Estás a pensar vender?"
Leitor, sobre um período de queda prolongadaA minha resposta foi direta: "Só podes estar a brincar."
Não porque seja impenetrável ao desconforto, mas porque tenho um protocolo, e o protocolo começa sempre pela mesma pergunta.
A pergunta que tudo decide
Quando o preço das ações de uma empresa que tenho em carteira cai significativamente, a primeira, e mais importante, coisa que faço não é olhar para o gráfico. É responder a esta pergunta:
Esta distinção é fundamental. O preço de uma ação pode cair por razões que não têm absolutamente nada a ver com o negócio da empresa. Pânico generalizado. Rotação setorial. Vendas forçadas de fundos. Notícias macroeconómicas que assustam os mercados durante semanas.
Se o negócio continua a crescer, se os lucros continuam a aumentar, se o MOAT está intacto, a queda é um saldo, não um sinal de alarme.
O meu protocolo durante uma queda
O maior teste: quando tudo cai ao mesmo tempo
O mais difícil não é quando uma empresa cai, é quando o portefólio inteiro cai. Quando não há refúgio. Quando os noticiários falam em colapso sistémico. Quando até os teus amigos investidores começam a duvidar.
Foi exatamente o que aconteceu em março de 2020 e em 2022. Em 2020, vi o meu portefólio descer a pique em semanas. Em 2022, assisti a uma queda lenta e prolongada que durou meses.
Em ambos os casos, o protocolo foi o mesmo: verificar os fundamentos, manter a liquidez para reforços, e desligar as notícias.
"Vendo agora para parar de perder e reentro quando estiver mais calmo." Esta lógica parece razoável mas é uma armadilha. Quem sai durante uma queda raramente volta a entrar a tempo, e quando o faz, é já depois da recuperação, comprando mais caro do que vendeu.
O órgão mais importante não é o cérebro
Há uma frase que uso às vezes que provoca sempre reação: para um investidor de longo prazo, o órgão mais importante não é o cérebro. É o estômago.
Porque a estratégia pode ser impecável, o método pode ser sólido, a análise pode ser correta, e tudo isso vai a pique se não conseguires aguentar a volatilidade psicológica de ver o teu dinheiro a encolher durante meses.
A boa notícia é que o estômago treina-se. A primeira queda significativa é a mais difícil. A segunda já é mais fácil de gerir. A terceira já consegues observar com uma certa serenidade.
Ter um grupo de pessoas que investem com os mesmos princípios. Quando o mercado cai e toda a gente à tua volta entra em pânico, ter cinco pessoas a dizer "os fundamentos das nossas empresas não mudaram" é o contrapeso mais eficaz que existe. É exatamente isso que uma comunidade como a 4OU7 oferece.
O mercado acionista foi desenhado para transferir dinheiro de quem age por emoção para quem age com método. Nos momentos de pânico, quero estar do lado certo dessa equação.
Tem o teu protocolo escrito antes de precisares dele
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