O que faço quando
o meu portefólio está
a descer 30%.
(Spoiler: quase nada.)

Quando o mercado cai 30% e as notícias são apocalípticas, a maioria vende. As Aves Raras fazem exatamente o contrário. Aqui está o que passa pela minha cabeça, e o protocolo concreto que sigo para não tomar decisões de que me arrependo.

Recebi esta mensagem num período em que o meu portefólio estava a registar uma queda superior a 30%:

"Pedrinho, ao fim de três anos e meio a levarmos pancada nos preços das ações, confesso que está a começar a ficar difícil de aguentar. Estás a pensar vender?"

Leitor, sobre um período de queda prolongada

A minha resposta foi direta: "Só podes estar a brincar."

Não porque seja impenetrável ao desconforto, mas porque tenho um protocolo, e o protocolo começa sempre pela mesma pergunta.

A pergunta que tudo decide

Quando o preço das ações de uma empresa que tenho em carteira cai significativamente, a primeira, e mais importante, coisa que faço não é olhar para o gráfico. É responder a esta pergunta:

A pergunta que tudo decide
Os fundamentos que me levaram a investir nesta empresa continuam intactos?
✓ Sim → Não vendo. Possivelmente reforço. ✗ Não → Avalio vender. Independentemente da perda.

Esta distinção é fundamental. O preço de uma ação pode cair por razões que não têm absolutamente nada a ver com o negócio da empresa. Pânico generalizado. Rotação setorial. Vendas forçadas de fundos. Notícias macroeconómicas que assustam os mercados durante semanas.

Se o negócio continua a crescer, se os lucros continuam a aumentar, se o MOAT está intacto, a queda é um saldo, não um sinal de alarme.

O meu protocolo durante uma queda

Faço
Verifico os fundamentos da empresa. Últimos resultados trimestrais, evolução do free cash flow, guidance da gestão. Está algo estruturalmente diferente do que estava quando comprei?
Faço
Avalio se tenho liquidez para reforçar. Se a empresa continua excelente e os preços estão agora mais abaixo do valor intrínseco estimado, pode ser oportunidade de reforço.
Faço
Vou dar um passeio. Sério. Afastar-me do ecrã durante uma queda é uma das melhores decisões que posso tomar. As emoções ao vivo são sempre piores do que as emoções na manhã seguinte.
Não faço
Não vendo por causa do preço. Só vendo se os fundamentos mudaram. Preço a cair não é fundamento a deteriorar.
Não faço
Não assisto às notícias financeiras. Em períodos de queda, os media financeiros estão em modo catastrófico. Cada vídeo que vejo aumenta a ansiedade sem aumentar a informação relevante.
Não faço
Não falo sobre a queda com quem não investe. A reação das pessoas que não investem ("vende tudo!") vai amplificar o pânico, não ajudar a pensar com clareza.
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O maior teste: quando tudo cai ao mesmo tempo

O mais difícil não é quando uma empresa cai, é quando o portefólio inteiro cai. Quando não há refúgio. Quando os noticiários falam em colapso sistémico. Quando até os teus amigos investidores começam a duvidar.

Foi exatamente o que aconteceu em março de 2020 e em 2022. Em 2020, vi o meu portefólio descer a pique em semanas. Em 2022, assisti a uma queda lenta e prolongada que durou meses.

Em ambos os casos, o protocolo foi o mesmo: verificar os fundamentos, manter a liquidez para reforços, e desligar as notícias.

O que NÃO é uma estratégia

"Vendo agora para parar de perder e reentro quando estiver mais calmo." Esta lógica parece razoável mas é uma armadilha. Quem sai durante uma queda raramente volta a entrar a tempo, e quando o faz, é já depois da recuperação, comprando mais caro do que vendeu.

O órgão mais importante não é o cérebro

Há uma frase que uso às vezes que provoca sempre reação: para um investidor de longo prazo, o órgão mais importante não é o cérebro. É o estômago.

Porque a estratégia pode ser impecável, o método pode ser sólido, a análise pode ser correta, e tudo isso vai a pique se não conseguires aguentar a volatilidade psicológica de ver o teu dinheiro a encolher durante meses.

A boa notícia é que o estômago treina-se. A primeira queda significativa é a mais difícil. A segunda já é mais fácil de gerir. A terceira já consegues observar com uma certa serenidade.

O que te mantém estável durante as quedas

Ter um grupo de pessoas que investem com os mesmos princípios. Quando o mercado cai e toda a gente à tua volta entra em pânico, ter cinco pessoas a dizer "os fundamentos das nossas empresas não mudaram" é o contrapeso mais eficaz que existe. É exatamente isso que uma comunidade como a 4OU7 oferece.

Repete comigo

O mercado acionista foi desenhado para transferir dinheiro de quem age por emoção para quem age com método. Nos momentos de pânico, quero estar do lado certo dessa equação.

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