Invisto em empresas
que conheço, mas como sei se estou
a pagar demasiado pelas ações?
Conheces a empresa, usas os produtos ou serviços, acreditas no negócio. Isso é um excelente ponto de partida, mas sem saberes quanto vale cada ação, podes estar a pagar o dobro do que a empresa realmente vale... e transformar um excelente negócio num mau investimento.
Peter Lynch, um dos maiores gestores de fundos da história, dizia: investe no que conheces. É um princípio excelente e é um dos critérios que eu também uso. Investir em empresas cujos produtos usas, cujo setor conheces profissionalmente, é genuinamente uma vantagem.
No entanto, há uma lacuna enorme neste princípio que raramente é mencionada: conhecer o negócio não é suficiente. Sem uma estimativa do valor intrínseco de cada ação, não sabes se o preço que estás a pagar é bom, razoável ou absurdo.
A armadilha da empresa favorita
Imagina que és fã da Apple, usas os produtos há anos, acreditas no ecossistema, conheces o MOAT melhor do que qualquer analista, tens convicção total na empresa...
No entanto, se comprares ações da Apple quando estão a negociar a 30 vezes os lucros quando historicamente negociam a 20 vezes, estás a pagar 50% a mais do que o valor histórico razoável. A empresa pode ser excelente e o investimento pode ser mau, exatamente por causa do preço que pagaste.
"Mesmo que entendamos determinada empresa, sem uma orientação sobre quanto é que cada ação poderá valer, é muito difícil definirmos um plano de investimento que nos deixe confortáveis para fazer reforços em períodos durante os quais os preços poderão estar a cair durante vários meses."
Pedro Silva-Santos, BOLSA, Dúvidas Reais, Respostas Sem RodeiosPorque é que o preço de compra é tão importante
Mesmo uma excelente empresa pode revelar-se um péssimo investimento se pagares demasiado caro pelas suas ações. Esta frase parece óbvia, mas é sistematicamente ignorada por investidores que confundem "boa empresa" com "bom investimento".
São duas coisas diferentes. A qualidade da empresa é um critério necessário, mas não é suficiente. O preço pago em relação ao valor intrínseco é o critério que determina a rentabilidade do investimento.
Como estimas o valor intrínseco sem ser analista profissional
Não precisas de ser analista para teres uma estimativa razoável do valor intrínseco. Durante anos fiz isso à mão, com folhas de cálculo e cenários que montava um a um. Funciona, dá trabalho e é aí que a maioria das pessoas desiste.
Hoje faço isso de outra forma. Este vídeo mostra exatamente como e demora menos de um minuto:
Escolhes a empresa, a plataforma traz os dados de mercado atualizados e mostra a estimativa em três cenários. Os pressupostos de crescimento continuam a ser teus, o trabalho de cálculo é que deixa de o ser.
Uma nota importante para não haver mal-entendidos: o valor intrínseco não é um número fixo e preciso. É uma estimativa com uma margem de erro e continua a depender dos pressupostos que escolheres. Por isso é que se usa a margem de segurança, comprar 30% a 40% abaixo dessa estimativa baseada em pressupostos conservadores protege os investidores de erros de análise e de imprevistos.
Conhecer bem uma empresa é um excelente ponto de partida, não uma razão para comprar ações. A decisão de compra exige que o preço esteja significativamente abaixo do valor intrínseco estimado. Uma excelente empresa a preço elevado poderá revelar-se um péssimo investimento.
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