100€ para começar e 100€ por mês...
40 anos depois, tens quase 638 000€.

Um amigo disse-me que os meus dois últimos artigos eram interessantes, mas deprimentes: falavam de morte, heranças e incapacidade. Tinha razão. Por isso hoje trago-te a parte mais bonita de investir: o que acontece quando deixas o dinheiro crescer sozinho, durante muito tempo.

Vou contar-te uma coisa que me continua a fascinar, mesmo depois de vários anos a investir. Se começares com 100€, investires mais 100€ todos os meses e conseguires uma rentabilidade média de 10% ao ano, ao fim de 40 anos tens quase 638 000€. Ao longo desse tempo, tu próprio só puseste 48 100€ do teu bolso. O resto, quase 590 000€, foi o mercado a trabalhar por ti.

Não é magia, são os juros compostos, o efeito mais estudado e menos sentido em finanças pessoais. Toda a gente já ouviu falar deste efeito, mas poucos o viram a funcionar em números reais, à frente dos olhos. É exatamente isso que quero fazer contigo neste artigo: mostrar-te o efeito, não apenas descrevê-lo.

Os juros compostos são a oitava maravilha do mundo. Quem os entende, ganha-os. Quem não os entende, paga-os. Atribuída a Albert Einstein (autoria muito contestada, mas a ideia é inegavelmente correta)

Porque é que 48 100€ se tornam 638 000€

A explicação é simples e ao mesmo tempo contraintuitiva. Todos os meses entram mais 100€ e todos os meses o saldo acumulado rende sobre si próprio. No início, o rendimento é insignificante, porque o saldo ainda é pequeno. Com o tempo, deixa de ser o teu depósito mensal a fazer a diferença e passa a ser o próprio saldo acumulado a gerar mais saldo. É uma bola de neve... e as bolas de neve não crescem de forma linear, crescem cada vez mais depressa quanto mais tempo rolam pela montanha.

Nos primeiros anos, o efeito parece insignificante. Ao fim de 10 anos, com 12 100€ investidos do teu bolso, tens cerca de 20 750€. Parece pouco, para uma década de depósitos mensais. É aqui que a maioria das pessoas desiste, exatamente no momento errado, porque tal como referi anteriormente, o crescimento dos juros compostos não é representado por uma reta, é exponencial: começa devagar e acelera de forma dramática na segunda metade do prazo.

100€ iniciais + 100€/mês, a 10% de rentabilidade ao ano

  • Ano 10: 20 750€ (investiste 12 100€ do teu bolso)
  • Ano 20: 76 700€ (investiste 24 100€ do teu bolso)
  • Ano 30: 228 000€ (investiste 36 100€ do teu bolso)
  • Ano 40: 637 800€ (investiste 48 100€ do teu bolso)

Repara na aceleração. Entre o ano 0 e o ano 20, o teu dinheiro cresceu até aos 76 700€. Entre o ano 20 e o ano 40, exatamente o mesmo número de anos e o mesmo esforço mensal de 100€, cresceu mais de 561 000€. Isso representa cerca de sete vezes mais crescimento na segunda metade do prazo do que na primeira, com o mesmo esforço mensal da tua parte. É por isto que insisto tanto, tanto na comunidade 4OU7 como aqui no blog, que o tempo de mercado vale mais do que o timing de mercado.

Brinca tu próprio com os números

Em vez de te dar só a tabela, deixo-te aqui uma calculadora simples, com os valores que usei no exemplo (100€ de capital inicial, 100€ investidos todos os meses, 10% de rentabilidade anual, 40 anos). Muda os valores, testa o teu próprio caso, vê o que acontece se esperares menos cinco anos, ou se juntares mais 50€ por mês.

Calculadora de juros compostos
637 778 €Valor final
48 100 €Total investido por ti
589 678 €Ganho pelo mercado
Investido por ti Ganho pelo mercado

Cálculo simplificado com juros compostos anuais, apenas para fins ilustrativos. Não é uma promessa de rentabilidade. Para simulações mais completas e visualização dos dados num quadro ano a ano, usa esta calculadora de juros compostos mais completa.

💬 Este é o tipo de tema que os investidores particulares da comunidade 4OU7 discutem todas as semanas, entre pares e sem rodeios. Conhece a comunidade → Experimentar grátis

Os 5 anos que decidem tudo

Há uma pergunta que me fazem com frequência na comunidade: «Vale mesmo a pena começar com tão pouco dinheiro?» A resposta honesta é que o montante inicial importa muito menos do que a data de início. Não interessa quanto investes na fase inicial, interessa é quanto tempo tens o dinheiro a trabalhar para ti.

Imagina duas pessoas. A Marta começa a investir 100€ por mês aos 25 anos. O Miguel começa a investir 200€ por mês aos 35 anos, o dobro do valor mensal da Marta. Aos 65 anos, a Marta continua à frente, mesmo tendo investido bem menos ao longo da vida. Os primeiros anos valem mais do que os últimos, precisamente porque é sobre eles que o efeito composto tem mais tempo para atuar.

Marta
Miguel
Idade de início
25 anos
35 anos
Investimento mensal
100€
200€
Anos a investir até aos 65
40 anos
30 anos
Total investido do bolso
48 000€
72 000€
Valor aos 65 anos (a 10%/ano)
632 400€
452 100€

A Marta investiu menos 24 000€ do que o Miguel ao longo da vida e ainda assim chega aos 65 anos com mais 180 000€. A diferença não está no esforço mensal, está nos dez anos a mais que o dinheiro dela teve para trabalhar sozinho.

10 anosInvestiste 12 100€, tens 20 750€
25 anosInvestiste 30 100€, tens 133 900€
40 anosInvestiste 48 100€, tens 637 800€

É por isto que a pergunta «quando é que devo começar a investir?» tem sempre a mesma resposta: o mais cedo possível, mesmo que seja com pouco dinheiro. Esperar mais cinco anos para «juntar mais capital antes de começar» custa, muitas vezes, mais do que esses cinco anos de capital extra vão render.

O erro que a maioria comete a meio do caminho

Já vi este filme várias vezes, tanto em mim próprio como em membros da comunidade. Alguém começa a investir, vê o dinheiro a crescer devagar nos primeiros anos, fica impaciente e desiste, ou pior, começa a mexer no capital constantemente à procura de atalhos. O problema é que a curva dos juros compostos castiga precisamente essa impaciência: é nos últimos anos que a maior parte do crescimento acontece e quem sai cedo nunca chega a ver essa parte da curva.

O que interrompe o efeito composto

Levantar capital a meio do caminho, mesmo que seja «só desta vez», reinicia o relógio para essa parcela. Um levantamento aos 20 anos de um plano de 40 não é apenas perder o dinheiro levantado, é perder igualmente todos os anos de crescimento composto que esse dinheiro ainda tinha pela frente.

De onde vêm estes 10% ao ano

Os 10% ao ano deste artigo não são um número escolhido ao acaso. É, de forma arredondada, a rentabilidade média histórica de longo prazo do índice S&P 500, o índice que junta as 500 maiores empresas cotadas nos Estados Unidos. Não é uma promessa nem uma garantia. Alguns anos rendem 25%, outros rendem menos 15%. É a média ao longo de várias décadas que se aproxima desse número, nunca um ano isolado.

Não precisas de escolher ações uma por uma para captares essa média. É para isso que existem os ETF, fundos negociados em bolsa que replicam um índice inteiro numa única posição. Na 4OU7 tens fichas de ETFs que seguem o S&P 500, o Nasdaq (as maiores tecnológicas americanas), índices mundiais que juntam milhares de empresas de várias geografias e também temas mais específicos, como automação e robótica. A tabela e a calculadora deste artigo servem para ilustrares o mecanismo dos juros compostos, não para preveres com exatidão o que vais efetivamente ganhar.

Comecei a investir 50€ por mês porque foi o que consegui poupar. Achava ridículo, sinceramente. Hoje, seis anos depois, mudei completamente de ideias... foi a melhor coisa que fiz.

Leitora do livro «BOLSA - Dúvidas Reais, Respostas Sem Rodeios»
Repete comigo

Não preciso de começar com muito dinheiro. Preciso apenas de começar, o tempo fará o resto do trabalho por mim.

Testa os teus próprios números

Na 4OU7 tens a watchlist com alertas de preço e as fichas de cada empresa e ETF para acompanhares.

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